×

Estudo aponta que creatina pode reforçar tratamento contra a depressão

Estudo aponta que creatina pode reforçar tratamento contra a depressão

Uma revisão sistemática publicada na revista científica Brain Medicine indica que a creatina, suplemento amplamente conhecido por sua utilização no aumento do desempenho físico e da massa muscular, pode representar uma alternativa promissora como complemento no tratamento da depressão. Apesar dos resultados considerados encorajadores, os investigadores alertam que as evidências ainda são insuficientes para alterar a prática clínica.

O trabalho foi conduzido por investigadores da Universidade de Ottawa, no Canadá, que analisaram seis estudos científicos sobre o tema. Cinco deles consistiam em ensaios clínicos randomizados e controlados, considerados um dos modelos mais rigorosos de investigação médica por compararem os efeitos da substância com um placebo sem que participantes ou investigadores saibam quem recebe cada tratamento.

Os resultados mais expressivos foram observados quando a creatina foi administrada como complemento aos medicamentos antidepressivos. Num dos estudos analisados, a combinação de cinco gramas diárias do suplemento com um antidepressivo, como o escitalopram, proporcionou uma melhoria significativa dos sintomas depressivos em comparação com os participantes que receberam placebo.

Os investigadores também verificaram benefícios quando a creatina foi utilizada em conjunto com a terapia cognitivo-comportamental. Os pacientes que associaram o suplemento ao acompanhamento psicológico apresentaram uma evolução mais favorável do que aqueles submetidos apenas às abordagens convencionais.

Por outro lado, a revisão identificou que os resultados não foram positivos em todos os grupos avaliados. Entre pacientes com transtorno bipolar, a creatina não demonstrou benefícios em adolescentes nem em pessoas que não respondiam aos tratamentos tradicionais. Além disso, foram registados casos de episódios de mania ou hipomania em dois pacientes bipolares que utilizaram o suplemento, um fator que reforça a necessidade de cautela na sua utilização.

O investigador responsável pela revisão, Bassam Jeryous Fares, destacou que os resultados representam um sinal promissor, mas ainda distante de uma conclusão definitiva. Segundo ele, as evidências disponíveis justificam a realização de novos estudos para compreender melhor o papel da creatina na saúde mental e identificar quais grupos de pacientes poderão beneficiar efetivamente do seu uso.

Os autores da revisão explicam que o possível efeito terapêutico está relacionado ao metabolismo energético do cérebro. Como este órgão apresenta uma elevada necessidade de energia para o seu funcionamento, a creatina pode favorecer a regeneração do ATP, molécula responsável pelo armazenamento e fornecimento de energia às células.

Em pessoas com transtornos de humor, esse metabolismo energético costuma apresentar alterações. A hipótese dos investigadores é que a suplementação possa contribuir para melhorar esse funcionamento celular e, simultaneamente, influenciar neurotransmissores importantes para a regulação do humor, como a dopamina e a serotonina.

Embora os resultados sejam considerados promissores, os especialistas reforçam que a creatina não deve ser utilizada como substituto dos tratamentos médicos estabelecidos. A realização de estudos de maior dimensão será fundamental para confirmar a sua eficácia e segurança antes que o suplemento possa ser incorporado às estratégias terapêuticas para a depressão.

Publicar comentário

REVISTA DE SAÚDE