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Coração sob pressão: prevenção pode mudar o rumo de milhares de vidas

Coração sob pressão: prevenção pode mudar o rumo de milhares de vidas

As doenças cardiovasculares permanecem como a principal causa de morte no mundo, mas uma parcela expressiva desses problemas pode ser evitada com prevenção e controle dos fatores de risco. No Brasil, o impacto ultrapassou 400 mil mortes ano passado, revelando um desafio que envolve hábitos cotidianos, acompanhamento médico e desigualdades no acesso à saúde.

O Dia Mundial do Coração reforça a necessidade de transformar o cuidado cardiovascular em uma prática contínua. A campanha de 2026 chama a atenção para o reconhecimento das doenças e para medidas capazes de reduzir complicações. Globalmente, os problemas que atingem o coração e os vasos sanguíneos respondem por cerca de 20 milhões de óbitos por ano.

A possibilidade de prevenção contrasta com a dimensão dessas perdas. Até 80% dos casos de doenças cardiovasculares e acidentes vasculares cerebrais podem ser prevenidos com estilos de vida mais saudáveis e redução dos principais fatores de risco. Isso exige tanto escolhas individuais quanto condições que permitam manter uma alimentação adequada, praticar exercícios e receber atendimento.

Hipertensão, diabetes e obesidade estão entre as condições que precisam de acompanhamento regular. O controle dessas doenças integra a proteção do sistema circulatório e deve considerar as necessidades de cada paciente. Consultas, avaliação dos fatores de risco e continuidade do tratamento são componentes essenciais desse cuidado.

Na alimentação, a orientação é priorizar frutas, legumes e grãos integrais, ricos em fibras, e reduzir o consumo de sal, açúcar, gorduras saturadas e produtos ultraprocessados. A atividade física também ocupa lugar central: para adultos, a recomendação geral é acumular pelo menos 150 minutos semanais de exercícios moderados, respeitando as condições de saúde e eventuais limitações.

Abandonar o cigarro é outra medida decisiva. O tabagismo aumenta o risco de infarto e acidente vascular cerebral, além de estar relacionado a diferentes tipos de câncer. A interrupção do consumo contribui para reduzir esses riscos e melhorar a saúde geral.

Os dados brasileiros mostram que o envelhecimento amplia a vulnerabilidade. Em 2022, pessoas com 65 anos ou mais concentraram 72,7% das mortes por doenças do aparelho circulatório. A atenção, porém, deve alcançar homens e mulheres ao longo da vida. Na menopausa, alterações hormonais podem favorecer elevações do colesterol, dos triglicérides e da pressão arterial.

As desigualdades sociais também atravessam esse cenário. Pessoas com menor escolaridade concentraram grande parte dos óbitos registrados, evidenciando diferenças na exposição aos riscos e no acesso à prevenção, ao diagnóstico e ao tratamento. Os números reforçam que proteger o coração depende de serviços de saúde acessíveis e de informação compreensível.

Reduzir a mortalidade cardiovascular exige continuidade. Hábitos saudáveis precisam caminhar junto com acompanhamento clínico e políticas públicas que ampliem o atendimento. O desafio é fazer com que a prevenção esteja presente antes das complicações, preservando autonomia, qualidade de vida e a possibilidade de envelhecer com mais saúde.

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REVISTA DE SAÚDE