Uma pergunta ao seu médico pode mudar os próximos dez anos
Nutricionista e escritora Nancy Novaes defende uma nova abordagem para a saúde hormonal feminina
@Nancy Novaes
Antes de aceitar o terceiro remédio para dormir, o segundo para ansiedade e a sugestão de “tirar umas férias”, faça uma pergunta ao seu médico. Uma só. Ela pode mudar os próximos dez anos da sua vida.
A pergunta é: “Isso pode ser hormonal? Será que é perimenopausa?”
Parece simples. Não é. Muitas mulheres passam anos sem ouvir essa palavra, mesmo com todos os sinais: insônia, irritação, esquecimento, palpitação, calor à noite, choro sem motivo. Como a menstruação ainda vem, ninguém liga os pontos. Cada sintoma vira um especialista diferente, um remédio diferente e a mesma conclusão: estresse.
Enquanto isso, a ciência andou rápido. A reposição hormonal, que assustou uma geração inteira, foi revista: a agência americana que regula medicamentos retirou o alerta mais grave das bulas, citando estudos que mostram poucos riscos quando o tratamento começa antes dos 60 anos e nos primeiros 10 anos de sintomas. Isso significa que existe um momento certo para tratar. E que esperar “passar sozinho” pode custar caro.
Só que fazer a pergunta é o primeiro passo. Depois vêm outras: quais sinais levar à consulta, o que pedir, quando a reposição faz sentido, o que o intestino e a alimentação têm a ver com isso, e o que fazer se ouvir “é normal, é a idade”.
Você não precisa de mais um remédio para sobreviver a essa fase. Precisa entender o que está acontecendo.
Uma conversa com Nancy Novaes
Nós, da revista, convidamos a nutricionista clínica Nancy Novaes, mestra em Ciências e especialista em saúde da mulher e nutrição hormonal, que está lançando o livro Juro! Era PERIMENOPAUSA, para responder algumas perguntas.
Por que tantas mulheres passam anos sem saber que estão na perimenopausa?
Nancy Novaes: Porque ninguém ensina a reconhecer. A mulher ainda menstrua, então acha que não pode ser hormonal. E cada sintoma acaba tratado separadamente. Vemos mulheres hipermedicadas para queixas isoladas, enquanto o que está acontecendo com os hormônios nem chega a ser investigado.
O que a alimentação tem a ver com os sintomas?
Nancy Novaes: Muito mais do que se imagina. O intestino participa da eliminação do estrogênio. Quando ele não funciona bem, as oscilações hormonais ficam mais bruscas. Fibras, alimentos fermentados e menos álcool fazem diferença real no dia a dia.
E os suplementos? Vale tomar por conta própria?
Nancy Novaes: Não. Alguns nutrientes têm boas evidências nessa fase, e até a creatina começou a aparecer em pesquisas sobre memória, sono e músculo. Mas cada mulher tem uma necessidade. O certo é avaliar, dosar e só então suplementar.
O que a leitora vai encontrar no livro?
Nancy Novaes: O caminho completo: como reconhecer os sinais, o que levar para a consulta, quando a reposição faz sentido e como a alimentação pode aliviar os sintomas, lista de suplemnetos. Para ela sair do “estou ficando louca” e entrar no “agora eu sei o que fazer”.
Que recado você deixa para quem está sofrendo agora?
Nancy Novaes: O sofrimento não é um preço obrigatório do amadurecimento. Você não está exagerando. Seu corpo está mudando, e existe muito que pode ser feito. O primeiro passo é entender.

Sobre a autora
Nancy Freire Cavalcante (@nancynovaes) é nutricionista clínica, mestra em Ciências, pós-graduada em Nutrição Oncológica pelo Hospital Israelita Albert Einstein e especialista em saúde da mulher e nutrição hormonal a partir dos 35 anos. Atua como consultora em longevidade, metabolismo e emagrecimento.
Onde comprar Juro! Era PERIMENOPAUSA
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br/juro-era-perimenopausa- tudo-que-voce-precisa-saber- para-nao-ceder-a-essa- transicao-hormonal/up/ MLBU5192048403
Fontes
- FDA retira alerta de terapias hormonais (AP/OPB, nov. 2025)
- Estudo CONCRET-MENOPA sobre creatina
- Menopausa e microbiota intestinal: revisão (UAEH)
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