Câncer de boca: diagnóstico precoce pode evitar tratamentos mais agressivos
Feridas que não cicatrizam, manchas persistentes e áreas endurecidas devem ser avaliadas por um cirurgião-dentista. A doença ainda é frequentemente descoberta em estágios avançados, apesar de poder ser identificada por meio de um exame clínico simples.
Uma ferida na língua que não desaparece, uma mancha branca na parte interna da bochecha ou um pequeno nódulo na gengiva podem parecer alterações sem importância. Muitas vezes, de fato, são lesões benignas. Quando persistem por mais de 15 dias, porém, precisam ser examinadas, porque também podem representar sinais iniciais de câncer de boca.
A doença pode atingir lábios, língua, gengivas, bochechas, céu da boca e a região abaixo da língua. No Brasil, as estimativas apontam cerca de 15 mil novos casos por ano, com maior ocorrência entre homens acima dos 40 anos. Tabagismo, consumo frequente de bebidas alcoólicas, exposição solar sem proteção e infecção pelo HPV estão entre os fatores associados ao risco.
Apesar de a cavidade oral ser acessível ao exame, muitos pacientes chegam aos serviços especializados com tumores em estágios avançados. Nessa fase, aumentam as possibilidades de cirurgias extensas, associação com radioterapia e quimioterapia e comprometimento de funções como mastigação, fala e deglutição. A literatura destaca que a prevenção, a capacitação dos profissionais e a organização da rede de saúde são essenciais para reduzir o diagnóstico tardio.
“O câncer de boca pode começar sem dor e com uma alteração muito discreta. Por isso, esperar que a lesão incomode para procurar atendimento pode atrasar o diagnóstico”, afirma o cirurgião-dentista Dr. Domenico Antonio Donina Rodrigues.
Segundo ele, a orientação não deve provocar medo, mas estimular atenção.
“Na maioria das vezes, uma ferida ou mancha terá origem benigna. O que não pode acontecer é o paciente conviver durante semanas ou meses com uma alteração persistente sem avaliação profissional.”
Conhecer os sinais pode fazer a diferença
O câncer de boca pode se manifestar de diferentes formas, e nem sempre provoca dor nas fases iniciais. Entre os sinais que merecem atenção estão feridas que não cicatrizam em até 15 dias, manchas brancas (leucoplasias), manchas avermelhadas (eritroplasias), lesões que combinam áreas brancas e vermelhas, nódulos, endurecimento da mucosa, sangramento sem causa aparente e dificuldade persistente para mastigar, engolir ou movimentar a língua.
Essas alterações não significam, obrigatoriamente, a presença de um tumor maligno. Diversas doenças inflamatórias, infecciosas e traumáticas apresentam aspecto semelhante e fazem parte do chamado diagnóstico diferencial. É justamente por esse motivo que especialistas desaconselham a automedicação ou a tentativa de identificar a origem da lesão apenas por fotografias ou pesquisas na internet.
“O paciente costuma pesquisar na internet e concluir que é apenas uma afta. O problema é que algumas lesões malignas se parecem muito com alterações benignas. Da mesma forma, existem doenças benignas que lembram um câncer. Somente o exame clínico permite essa diferenciação”, explica o cirurgião-dentista Dr. Domenico Antonio Donina Rodrigues.
Segundo o especialista, outro erro frequente é interromper a investigação quando a lesão deixa de causar desconforto.
“A ausência de dor não significa ausência de gravidade. Muitos tumores iniciais evoluem de forma silenciosa. Sempre orientamos o paciente a procurar atendimento quando perceber uma alteração persistente, mesmo que ela não provoque sintomas.”
O manual do Instituto Nacional de Câncer destaca que reconhecer precocemente lesões suspeitas e encaminhá-las para investigação é uma das estratégias mais eficazes para reduzir o diagnóstico tardio e ampliar as possibilidades de tratamento conservador.
Exame clínico e biópsia são fundamentais para confirmar o diagnóstico
Ao contrário do que muitos imaginam, o diagnóstico do câncer de boca não começa por exames sofisticados. O primeiro passo é um exame clínico criterioso realizado pelo cirurgião-dentista. Durante a consulta, o profissional avalia toda a cavidade oral — lábios, língua, gengivas, mucosa das bochechas, palato e assoalho bucal — em busca de alterações que possam indicar lesões potencialmente malignas. Uma anamnese detalhada, associada ao exame físico sistemático, é considerada a base para a detecção precoce da doença.
Quando uma lesão apresenta características suspeitas ou permanece sem cicatrização por mais de duas semanas, a biópsia passa a ser o exame indicado para esclarecer sua natureza. O procedimento consiste na retirada de uma amostra do tecido para análise microscópica, permitindo confirmar ou descartar a presença de câncer. A literatura do INCA destaca que a biópsia é o método de referência para o diagnóstico definitivo e orienta a escolha do tratamento.
“A palavra ‘biópsia’ costuma assustar o paciente, mas ela não significa que o câncer está confirmado. É justamente o exame que permite estabelecer um diagnóstico preciso e definir a melhor conduta para cada caso”, explica o cirurgião-dentista Dr. Domenico Antonio Donina Rodrigues.
Após a confirmação do diagnóstico, exames de imagem, como tomografia computadorizada e ressonância magnética, podem ser utilizados para avaliar a extensão do tumor e auxiliar no planejamento terapêutico. Eles complementam a investigação, mas não substituem o exame clínico nem a análise histopatológica.
“Quanto mais cedo identificamos uma lesão suspeita, maiores são as possibilidades de um tratamento menos invasivo e com preservação das funções da boca. O diagnóstico precoce continua sendo o principal aliado do paciente”, conclui Domenico.
Prevenção, tratamento e o papel da odontologia
Embora o câncer de boca continue sendo um importante problema de saúde pública, especialistas destacam que grande parte dos casos pode ser diagnosticada precocemente quando a população conhece os sinais de alerta e procura atendimento no momento adequado. Além da redução do tabagismo e do consumo de bebidas alcoólicas, medidas como proteção dos lábios contra a radiação solar, alimentação equilibrada, vacinação contra o HPV conforme as recomendações do Ministério da Saúde e consultas odontológicas periódicas integram as principais estratégias de prevenção.
Quando o diagnóstico é realizado nas fases iniciais, o tratamento tende a ser menos agressivo e apresenta maiores taxas de controle da doença. Dependendo do estágio e da localização do tumor, a cirurgia pode ser suficiente. Nos casos mais avançados, pode ser necessária a associação entre cirurgia, radioterapia e quimioterapia, além do acompanhamento por uma equipe multiprofissional composta por cirurgião de cabeça e pescoço, oncologista, cirurgião-dentista, fonoaudiólogo, nutricionista, fisioterapeuta e psicólogo.
Para o cirurgião-dentista Dr. Domenico Antonio Donina Rodrigues, a odontologia exerce papel muito mais amplo do que o tratamento de cáries e doenças gengivais.

“Cada consulta odontológica deve ser encarada como uma oportunidade de prevenção. Além de avaliar dentes e gengivas, examinamos toda a mucosa bucal em busca de alterações que possam indicar doenças potencialmente graves. Esse cuidado leva poucos minutos e pode mudar completamente o prognóstico do paciente.”
O especialista reforça que a conscientização da população continua sendo um dos principais desafios.
“Nossa mensagem é simples: não espere a dor aparecer. Uma lesão persistente merece avaliação profissional. Diagnosticar cedo significa oferecer maiores chances de cura, tratamentos menos invasivos e melhor qualidade de vida ao paciente.”
A literatura utilizada como base para esta reportagem destaca que a capacitação dos profissionais da Atenção Primária, associada ao acesso oportuno aos serviços especializados, representa uma das estratégias mais eficazes para reduzir o diagnóstico tardio e fortalecer o controle do câncer de boca no Brasil.
Dr. Domenico Antonio Donina Rodrigues é cirurgião-dentista, clínico geral, mestre em Gestão de Serviços de Saúde e MBA em Gestão de Serviços de Saúde. Possui pós-graduação em Saúde Pública com ênfase em Saúde da Família, Radiologia Odontológica, Imagenologia, Odontologia Hospitalar e Qualidade e Auditoria em Serviços de Saúde. É habilitado em Laserterapia pelo Conselho Federal de Odontologia (CFO) e realizou formação internacional em Advanced Implant Dentistry pela University of Florida, nos Estados Unidos.
Dedica sua atuação à prevenção, ao diagnóstico precoce das doenças bucais e à promoção da saúde, exercendo suas atividades em consultório particular e na Atenção Primária à Saúde (Estratégia Saúde da Família). Com mais de duas décadas de experiência na área da saúde, alia a prática clínica à atualização científica contínua e ao cuidado baseado em evidências, desenvolvendo ações voltadas à prevenção, ao diagnóstico precoce, à educação em saúde e à promoção da saúde bucal. Sua formação multidisciplinar e experiência em diferentes níveis de atenção à saúde permitem uma abordagem integrada, centrada no paciente e comprometida com a excelência técnica, a qualidade assistencial e a humanização do atendimento.
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